Oi, ando ausente esses dias pq to trabalhando, e como não tive tempo de preparar nada, vou contar um trecho d'uma história feita pela Cecília Méireles. Boa leitura.
Ora, uma noite, correu a notícia de que o bazar incendiara. E foi uma espécie de festa fantástica. O fogo ia muito alto, o céu ficava todo rubro, voavam chispas e labaredas pelo bairro todo. As crianças queriam ver o incêndio de perto, não se contentavam em com portas e janelas , fugiam pra rua, onde brilhava, bombeiros entre jorros d'água. A elas não interessavam nada de peças de pano, cetins, cretones, cobertores, que os adultos lamentavam. Sofriam pelos cavalinhos e bonecas, os trens e palhaços, fechados, sufocados em suas grandes caixas. Brinquedos que jamais teriam possuído, sonho apenas da infância, amor platônico.
O incêndio, porém, levou tudo. O bazar ficou sendo um futuro galpão de cinzas.
Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor. Como não tinha morrido ninguém?, pensavam as criança. Tinha morrido um mundo, e dentro dele, os olhos amorosos das crianças, ali deixados.
E começavamos a pressentir que viriam outros incêndios. Em outras idades. De outros brinquedos. Até que um dia também desaperecêssemos sem socorro, nós brinquedos que somos, talvez de anjos distantes
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